Cada um colherá o que houver semeado. Não me arrastes ao desespero por causa do meu passado: sabes quem, atrás do véu, será tido por bom ou mau?
Indulgente ou severo para consigo mesmo, cada um procura o Amor. Sinagoga ou mesquita – todo lugar pode ser o Altar do Amor.
Não sou eu o único expulso da casa santa. O próprio Adão, nosso pai, deixou fugir de suas mãos o Éden.
Deve ser doce o jardim do Paraíso; mas – cuidado! – não o confundas com a sombra macia do salgueiro ou a margem da estrada.
Confia pouco em tuas obras. Como podes ler de antemão o que a pena do Criador escreveu para ti?
No último dia, ó Hafiz, mesmo se ainda tiveres a taça na mão, poderás, da taverna, ser levado ao Paraíso.
De "Os gazéis de Hafiz" tradução de Aurelio Buarque de Hollanda




















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